A instalação de três radares meteorológicos próprios no Espírito Santo deve mudar a forma como o Estado prevê e responde a eventos extremos de chuva. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21), durante coletiva no Centro de Inteligência da Defesa Civil, como parte de uma estratégia para reduzir a dependência de dados nacionais e globais e ampliar a precisão dos alertas à população.
O governador do Estado, Renato Casagrande, citou como referência a catástrofe registrada em Mimoso do Sul, em março de 2024, quando o município foi atingido por cerca de 600 milímetros de chuva em menos de 24 horas, entre os dias 22 e 23. À época, a previsão indicava volumes mais intensos no Rio de Janeiro, o que evidenciou limitações no monitoramento local.
Estrutura construída ao longo dos anos
Segundo Casagrande, o Estado começou a estruturar o sistema de Defesa Civil em 2013, com a criação do Plano Estadual de Defesa Civil, do Comitê de Combate às Adversidades Climáticas e do Fundo Estadual de Defesa Civil. A partir disso, foram organizados mecanismos de monitoramento, resposta e repasse direto de recursos aos municípios.
Por meio do Fundo de Cidades e do Fundo de Defesa Civil, já foram investidos cerca de R$ 600 milhões em obras de infraestrutura e adaptação, incluindo estações de bombeamento de águas pluviais em municípios como Vila Velha, Viana e Cariacica.
Monitoramento contínuo e mais profissionais
Em 2024, o Estado firmou parceria com o Cimepar, órgão ligado ao governo do Paraná, para reforçar a área técnica. Com o contrato, o número de meteorologistas envolvidos no sistema estadual passou de um para sete, garantindo monitoramento e análise de dados 24 horas por dia.
Atualmente, 28 estações meteorológicas estaduais transmitem informações em tempo real, integradas a dados do Incaper e da Ager. Ainda assim, o governo avalia que a ausência de radares próprios limita a capacidade de previsão em curto prazo.
Onde serão instalados os radares
O estudo técnico indicou a necessidade de três equipamentos. Um radar de banda C, com alcance de até 250 quilômetros, será instalado em Governador Lindenberg, com cobertura estadual. Outros dois radares de banda X, mais precisos e de menor alcance, ficarão em Santa Leopoldina, para monitorar a Grande Vitória e a região serrana, e em Guaçuí, com foco no Caparaó.
De acordo com o governo, os radares permitirão identificar formações rápidas de chuva intensa, granizo e tempestades localizadas, ampliando a capacidade de emissão de alertas preventivos.
Situação atual das chuvas
Durante a coletiva, o governo também atualizou o cenário desta quarta-feira (21). Prefeitos de municípios mais afetados, como Rio Bananal, Linhares e Sooretama, foram acionados. Em Rio Bananal, uma criança morreu após uma enxurrada provocar o desabamento de uma residência.
Com o solo encharcado, a Defesa Civil mantém equipes em alerta máximo e reforça a orientação para que a população siga os avisos oficiais e evite áreas de risco enquanto persistirem as condições climáticas adversas.





