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Confira tratamentos além do remédio para aliviar a enxaqueca

Escrito por Rodrigo Gonçalves

Quem sofre com enxaqueca já sabe: não se trata de uma simples dor de cabeça, mas de uma doença neurológica incapacitante, muitas vezes crônica, que pode paralisar a rotina por horas ou dias. A dor pode ser tão intensa que impede atividades simples do dia a dia, como trabalhar, estudar ou até ficar em um ambiente iluminado.

No Brasil, mais de 30 milhões de pessoas convivem com o problema. As mulheres são as mais afetadas — três vezes mais do que os homens. Não à toa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a enxaqueca como uma das doenças mais incapacitantes do mundo.

Quando só o remédio não resolve

Para muita gente, o tratamento apenas com medicamentos não é o suficiente. Por isso, médicos têm apostado em abordagens alternativas ou combinadas, que ajudam a reduzir as crises e melhorar a qualidade de vida.

Entre as técnicas destacam-se a aplicação de Botox®️, acupuntura, cromoterapia, biofeedback, chás e óleos essenciais.

Veja abaixo como os tratamentos funcionam.

Botox como tratamento preventivo

O Botox®️ é uma opção de tratamento preventivo para enxaqueca crônica, indicada para pacientes que têm dor de cabeça em 15 ou mais dias por mês. Aplicado por neurologistas em pontos específicos da cabeça e do pescoço, o procedimento bloqueia substâncias envolvidas na transmissão da dor, reduzindo a hiperatividade do sistema nervoso.

Segundo o neurologista André Lucchi, o tratamento “ajuda a diminuir o volume do sistema da dor, tornando o cérebro menos reativo aos estímulos que desencadeiam as crises”.


André Lucchi é especialista no tratamento de enxaqueca com Botox

De acordo com o especialista, o Botox®️ pode reduzir em até 50% a frequência e a intensidade das crises, além de melhorar sintomas associados como náuseas, fadiga e sensibilidade à luz e aos sons. O método é seguro, respaldado por evidências científicas e segue um protocolo internacional padronizado.

Os primeiros resultados geralmente surgem cerca de 14 dias após a aplicação, e o efeito dura em média três meses, com aplicações periódicas.

“É comum que o efeito seja cumulativo, com resultados mais consistentes após a segunda ou terceira sessão. O tempo total de uso depende da resposta individual de cada paciente. Em alguns casos, é possível interromper as aplicações e manter a melhora, especialmente quando o tratamento é combinado com outras abordagens preventivas”, destaca Lucchi.

Acupuntura como aliada

A acupuntura também tem se destacado como aliada no tratamento da enxaqueca. Técnica da medicina chinesa com cerca de 5 mil anos, ela estimula pontos específicos do corpo para promover o equilíbrio do organismo e pode aliviar a dor e reduzir a frequência das crises, especialmente quando usada de forma complementar ao acompanhamento médico.

Segundo o acupunturista e fisioterapeuta Adriano Salviato, a inserção das agulhas ativa terminações nervosas que estimulam o cérebro a liberar endorfinas e encefalinas, analgésicos naturais do corpo.

“Isso bloqueia a dor, diminui sua percepção e evita que a crise se intensifique, trazendo alívio em poucos minutos”, explica. Ele destaca ainda que a técnica ajuda a equilibrar neurotransmissores, melhora o sono e o humor — fatores que costumam ser gatilhos para novas crises — além de reduzir inflamação, tensão muscular e dores no pescoço e ombros.

Salviato afirma que, em alguns casos, uma única sessão já é suficiente para aliviar a dor, enquanto outros pacientes precisam de algumas aplicações para tratar a origem do problema. “Desde a primeira sessão, as crises tendem a ficar mais espaçadas e menos intensas”, diz. Além das sessões ambulatoriais com agulhas ou laser, também podem ser indicados estímulos feitos com os próprios dedos, técnica conhecida como Do In, sem necessidade do uso de medicamentos.

Tecnologia para treinar o corpo

O biofeedback é outra alternativa que vem sendo usada no controle da enxaqueca. A técnica ajuda o paciente a entender e controlar reações do próprio corpo que estão ligadas à dor, como tensão muscular, respiração e frequência cardíaca.

O método utiliza sensores colocados em áreas como o dedo ou a orelha, conectados a um monitor. A partir dessas informações, o paciente acompanha, em tempo real, o que acontece no organismo e aprende a regular a respiração e o nível de relaxamento, em um processo semelhante a uma meditação guiada. Esse controle favorece a sensação de bem-estar e pode ajudar a reduzir as crises.

Em alguns casos, o biofeedback é associado à estimulação elétrica periférica, também chamada de eletroacupuntura. Nessa técnica, eletrodos são posicionados em pontos específicos do corpo para estimular a liberação de substâncias como serotonina e endorfina, ligadas ao alívio da dor.

Cromoterapia

A cromoterapia também aparece como uma aliada no controle da enxaqueca. A técnica utiliza a exposição a cores específicas de luz para estimular respostas no organismo. No caso da enxaqueca, pesquisas recentes indicam que a luz verde pode ajudar a diminuir tanto a frequência quanto a intensidade das crises.

Pessoas submetidas a esse tipo de estímulo apresentaram menos episódios de dor, além de crises mais leves e melhora significativa na qualidade de vida, com mais facilidade para dormir, praticar exercícios e manter a rotina de trabalho. O método não apresentou efeitos colaterais relevantes.

Óleos essenciais 

A aromaterapia também pode contribuir para o alívio das crises de enxaqueca. Alguns óleos essenciais são apontados como os mais utilizados nesse contexto, como a lavanda, conhecida pelo efeito relaxante, a hortelã-pimenta, com ação refrescante e analgésica, o eucalipto, que auxilia no controle da inflamação, e a camomila, associada à redução do estresse.

Esses óleos podem ser usados de forma diluída, aplicados na região das têmporas ou da nuca, ou ainda por meio da inalação, ajudando a amenizar a dor e até a sensação de náusea. Estudos indicam que a lavanda, especialmente quando inaladas, pode ser eficaz no alívio das crises agudas de enxaqueca.

Chás também ajudam

Chás de gengibre, camomila, hortelã-pimenta e valeriana são excelentes opções naturais para aliviar enxaquecas, agindo como anti-inflamatórios, calmantes e analgésicos.

Mudança de estilo de vida

Além das terapias alternativas, especialistas reforçam que mudanças no estilo de vida fazem toda a diferença no controle da enxaqueca. Manter uma alimentação equilibrada, evitar longos períodos de jejum, cuidar da hidratação e da qualidade do sono são medidas essenciais.

A prática regular de atividade física — cerca de 150 minutos semanais de exercícios moderados, associada a fortalecimento da região cervical — também pode ajudar a prevenir crises. O controle da ansiedade completa o conjunto de cuidados que contribuem para reduzir a recorrência da dor.

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